quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Primeira Vítima

Hoje eu vou contar um momento muito importante da minha não vida, o dia em que eu fiz a minha primeira vítima. Algo que provavelmente nunca vou esquecer, pois é comparável a perder a virgindade para um humano, só que de uma forma muito mais violenta e prazerosa. Além de ser, claro, uma necessidade, haja vista, que como eu já disse em outras ocasiões o sangue humano é fundamental para a sanidade. Repito: somente o sangue humano é capaz de manter o nosso companheiro diabólico dentro da “jaula”.
Estava numa viagem a Chuí,a data precisa ficou perdida naquele momento, mas foi logo em seguida a minha transformação.
Apesar de eu ter me alimentado bem antes de sair, a viagem era longa e um vampiro novo sempre precisa de mais sangue que os demais, pois somente uma parte é absorvida e o restante ainda é eliminado pelo organismo. Tudo bem que os outros vampiros também precisaram de sangue durante a viagem mas como eles conseguiram o deles e como chegamos ao nosso destino é outra história
Aos descermos na ilha fomos prontamente recebidos por alguns nativos que nos trouxeram comida e nos ofereceram cadeiras e mesas para aproveitar o visual da cidade que é muito linda. Apesar da boa receptividade a nossa reação foi bem diferente do que eles imaginavam e fomos direto ao que interessava.
Andamos um pouco em direção ao interior da ilha, entramos no que parecia ser uma casa e lá estava um casal com duas crianças. Infelizmente tive ali minha primeira visão do mundo das trevas e como ele pode ser cruel, onde nem pequenos seres escapam desse inferno.
Saí antes de ver a última criança ser atacada e uma mistura de ódio e fome provocada pelo forte odor do sangue tomou conta de mim. Minhas presas já estavam visíveis quando percebi se aproximando um velho pescador que devia estar voltando para casa.
Eu estava cabisbaixo, ele tentou me perguntar algo, mas eu tomei a iniciativa… Naquele instante eu soube que estava possuído por algo superior a minha vontade, pois fui guiado objetivamente ao que precisava.
Sem muito esforço eu derrubei o pobre velho, o que fez derramar sua sacola de pescados pelo chão. Dei então um chute em sua cabeça para que ficasse quieto e não fizesse mais barulho e pude ver o precioso líquido sendo derramado do seu supercílio esquerdo. Com aquilo meus lábios umedeceram e algo incrível aconteceu. Era como se as veias do corpo do velho ficassem mais evidentes, provocando a minha impulsão para a maior que consegui ver em seu pescoço.
No início achei que minhas presas não perfurariam a sua carne, mas até que foi fácil e antes do eu imaginava estava com a boca cheia do manjar. Três, quatro, cinco goles depois o sangue começou a vir com menor intensidade e minha vontade começou a diminuir até um ponto que cessou por completo.
Atrás de mim meu tio, Eleonor e os outros dois noturnos observavam o meu feito. Senti-me como uma criança que acabara de dar os seus primeiros passos, mas na realidade o que mais importava é que eu possuía novamente o domínio sobre os meus atos.

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